quarta-feira, 6 de maio de 2015

Aos poucos, se vai...



Não tenho mais segurança de nada... Não sei o que quero, quanto mais como, por quê, onde, quando, com quem...

Tudo parecia tão claro há pouco tempo atrás... Mas, de repente, como num passe de mágica (ou não!!!) as coisas andam de cabeça pra baixo. Queria dizer que sei o que planejo e tenho certeza dos resultados (ainda que não saiba efetivamente, mas eu creio nisso), entretanto.... não tem funcionado assim...

O coração tá pequeno, apertado, solitário e úmido. E eu só quero um colo, só quero chorar até perder as forças e dormir até não ter mais com o que sonhar. Acho que começo a caminhar sozinha, e não consigo me ver nessa situação. Não consigo porque não quero esse caminhar, não me permito viver sem ele, não é possível haver vida sem ele... Ele é quem me completa...

Não tem havido cumplicidade, e, se eu não tivesse experimentado esse novo sabor, não me interessaria por uma vida assim. A questão é que fui convidada a provar, e, aos poucos, estou sozinha nesse convite; o convidado está indo embora e eu ainda estou aqui sentada, com o copo na mão e um salgadinho na boca... O convidado, que fez questão de que eu viesse e participasse, se cansa e discretamente se distancia da sala, em direção à porta de saída. Perdi a chave, não posso trancá-lo. Teria tempo de criar algo que o fizesse ficar??? Tenho me perguntado há alguns dias....

terça-feira, 21 de abril de 2015

E eu?

Na verdade, sinto que algumas vezes é como se eu (e tudo aquilo que carrego comigo) não tivesse importância. Sou um saco vazio, que cada um preenche com aquilo que lhe convém e de acordo, portanto, com suas próprias necessidades. Se por um segundo eu resolvo ter opinião própria e fazer algo de acordo com o que acredito (isso tem sido cada vez mais raro, mas ainda acontece), então o mundo se enevoa e tudo toma a proporção do que será a Terceira Guerra Mundial. Por quê? Porque eu não considerei o outro, porque não fiz o que o outro queria, porque não supri a expectativa do outro. Quê expectativa? Nada!!!! Não existem expectativas. O que não cumpri mesmo foi com a minha obrigação (posta pelo outro).

E então eu me culpo por não ter feito exatamente aquilo que o outro planejou pra mim. A questão é que tenho uma vida. Parece não parecer, mas eu realmente tenho, e às vezes o que julgo importante não é o mesmo que você julga, nem que o vizinho julga, nem que minha mãe julga, nem que o...........

Pergunto-me, então, o que faço eu com essa vida toda senão estar vivendo em função dos outros? É isso que estou fazendo?



domingo, 8 de março de 2015

Eu...

Há um bicho em mim.

Ora é um pequeno e manhoso gatinho, ora um leão enfurecido, faminto e solitário.

O dia em que esse leão aparece é uma dor sem fim. Aprisionado em meu peito, ele tenta se livrar das minhas garras. Mas seria eu o próprio leão?!?!? Tento me libertar de mim mesma? Nada é tão claro quanto parece.

Esse eu-leão me rasga, machuca-me, suplica-me por socorro e eu-leão, ainda que tente deixá-lo ir, ou voltá-lo a seu equilíbrio-gatinho, não consigo. Chega a ser masoquismo, mas ele não vai por minha causa, e eu não vou por sua causa.

Mutualismo... um precisa do outro para a sobrevivência. Mas eu preciso de dor? Ela é inerente, vem eu querendo ou não. Ou não?

E se o leão não está dentro, e sim fora? E se não existe eu-gatinho? E se.......

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Voltei de onde nem fui...

O comprometimento com essas coisas não está em mim... Ainda! Quero escrever. Acho que a escrita vai me ajudar a entender o meu mundo interior, que anda tão bagunçado. As pessoas vem, bagunçam minha casa, eu tento arrumar, bagunçam outra vez... Ahhhhhhhhhhhhh.... Tô em frangalhos.

Os móveis já estão velhos, o chão escorregadio, não dá pra viver assim. As paredes estão sujas, mas ainda servem. Talvez mude uma ou outra, desfaça um dos quartos e o una à sala, que é tão pequenina e desconfortável. O banheiro tem com infiltração infinita. Tinha que fechar o registro para parar de sair água, mas agora o registro parece que fez um contrato, sem meu consentimento, com a ducha, porque nenhum dos dois quer funcionar como deveria. Perdi o controle da água, que escorre da ducha, escorre dos meus olhos. passa  por minhas bochechas queimadas de sol, molha meu pescoço, colo e enxarca a blusa. E a torneira não fecha...

A televisão também não colabora, faz um barulho estranho. Não consigo configurá-la! Ouço palavras isoladas aqui e acolá, mas não compreendo. Não é possível que seja tão burra assim. É português, caralho! É só meu maldito português, que falo e ouço desde que me entendo por gente, mas é como se fosse chinês em vários momentos. Se não ouço, não compreendo, não cresço. Deve ser por isso que as pessoas falam comigo umas quantas vezes também... Fui ao otorrino e disse "Doutor, eu sei que falam comigo, mas não entendo!" Ele me pediu exames e está tudo absolutamente normal. "Relaxe, menina!" Foi o conselho do doutor sabichão. Como relaxar com essa zorra de casa?!?!?

E os livros? Estão fora de lugar, totalmente. Depois que meu pai morreu, meu sonho é colocar aquela montoeira de livros meus e seus no seu devido lugar. Mas não consigo. Retirei alguns, doei outros, mas... como organizar algo que mal se sabe por onde começar? É preciso começar de algum lugar, isso é fato! Os romances água com açúcar devem ficar longe dos de ciência ficção. E eu... longe da tristeza...