Há um bicho em mim.
Ora é um pequeno e manhoso gatinho, ora um leão enfurecido, faminto e solitário.
O dia em que esse leão aparece é uma dor sem fim. Aprisionado em meu peito, ele tenta se livrar das minhas garras. Mas seria eu o próprio leão?!?!? Tento me libertar de mim mesma? Nada é tão claro quanto parece.
Esse eu-leão me rasga, machuca-me, suplica-me por socorro e eu-leão, ainda que tente deixá-lo ir, ou voltá-lo a seu equilíbrio-gatinho, não consigo. Chega a ser masoquismo, mas ele não vai por minha causa, e eu não vou por sua causa.
Mutualismo... um precisa do outro para a sobrevivência. Mas eu preciso de dor? Ela é inerente, vem eu querendo ou não. Ou não?
E se o leão não está dentro, e sim fora? E se não existe eu-gatinho? E se.......
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