O comprometimento com essas coisas não está em mim... Ainda! Quero escrever. Acho que a escrita vai me ajudar a entender o meu mundo interior, que anda tão bagunçado. As pessoas vem, bagunçam minha casa, eu tento arrumar, bagunçam outra vez... Ahhhhhhhhhhhhh.... Tô em frangalhos.
Os móveis já estão velhos, o chão escorregadio, não dá pra viver assim. As paredes estão sujas, mas ainda servem. Talvez mude uma ou outra, desfaça um dos quartos e o una à sala, que é tão pequenina e desconfortável. O banheiro tem com infiltração infinita. Tinha que fechar o registro para parar de sair água, mas agora o registro parece que fez um contrato, sem meu consentimento, com a ducha, porque nenhum dos dois quer funcionar como deveria. Perdi o controle da água, que escorre da ducha, escorre dos meus olhos. passa por minhas bochechas queimadas de sol, molha meu pescoço, colo e enxarca a blusa. E a torneira não fecha...
A televisão também não colabora, faz um barulho estranho. Não consigo configurá-la! Ouço palavras isoladas aqui e acolá, mas não compreendo. Não é possível que seja tão burra assim. É português, caralho! É só meu maldito português, que falo e ouço desde que me entendo por gente, mas é como se fosse chinês em vários momentos. Se não ouço, não compreendo, não cresço. Deve ser por isso que as pessoas falam comigo umas quantas vezes também... Fui ao otorrino e disse "Doutor, eu sei que falam comigo, mas não entendo!" Ele me pediu exames e está tudo absolutamente normal. "Relaxe, menina!" Foi o conselho do doutor sabichão. Como relaxar com essa zorra de casa?!?!?
E os livros? Estão fora de lugar, totalmente. Depois que meu pai morreu, meu sonho é colocar aquela montoeira de livros meus e seus no seu devido lugar. Mas não consigo. Retirei alguns, doei outros, mas... como organizar algo que mal se sabe por onde começar? É preciso começar de algum lugar, isso é fato! Os romances água com açúcar devem ficar longe dos de ciência ficção. E eu... longe da tristeza...
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